Educação para a Cultura e para a Criatividade
Luzia Guilhermina

Nasceu – 3 de Maio de 2001

Vive – Por cima de vocês, mais no Porto

Melhor amigo – Tomé, Joana, Gonçalo e o meu reflexo (concorda sempre comigo)

Comida favorita – Massa com Natas e assado caseiro

Passatempos – Cinema sem pagar, arte, música e coisas lindas

O que menos gosta

Cor favorita - Cor-de-rosa e Preto

Facebook - https://pt-pt.facebook.com/luzia.guilhermina

"3 de Maio,
Nas labirínticas e húmidas passagens das minas do castelo de Brünslighshaggendaz, eu sabia que, a qualquer momento, a personificação de todos os meus medos poderia surgir de qualquer sombra. E existiam muitas. Mas o medo nunca teve grande atração. Nunca tive medo de participar nas mais assustadoras aventuras com os meus amigos, e não seria agora que um tipo bem falante de dentes longos me ia fazer tremer ou acelerar os batimentos do meu coração."

Bem, acabo de ler o meu livro quando tiver mais tempo, já que agora tenho de escrever um resumo sobre mim própria. Resumo que já devia ter entregue...

Olá, chamo-me Luzia, moro no Porto e tenho demasiado para contar sobre mim em 200 palavras, por isso vou ignorar o limite e escrever do fundo do meu coração.

Deixei os meus pais quando tinha apenas 8 semanas e ainda mal tinha aprendido a voar (mas ainda os visito em noites de lua cheia – isto porque tenho um primo que..bem, esqueçam). Pode parecer muito pouco, mas é normal quando se é um morcego. Claro que isto não exclui uma ou outra queda nas minhas primeiras tentativas de voo. E acreditem que sou uma miséria no chão! Tremendamente desajeitada, embora exista quem diga que tenho um certo charme quando caminho. Mas como desde cedo queria ver o mundo e aprender o mais possível, pratiquei o voo até me doerem as membranas.

Adoro passar a noite a observar a cidade dos seus pontos mais altos: Torre dos Clérigos, Monte Tadeu e até da Sé, com aquela vista para o Rio Douro. Conheço o Porto como poucas pessoas, ou animais, e estou sempre a saltitar entre pontos de observação.

Não chateio ninguém nas minhas viagens, mas existem duas corujas emproadas que moram na torre da Igreja dos Carmelitas que, sempre que passo, me olham de lado, como se eu fosse uma refeição apetecida. Por diversas vezes já me tentaram seguir, mas despistei-as sempre nas árvores do Jardim da Cordoaria ou nas colunas do Palácio da Justiça. Elas são rápidas, mas eu sou mais (e mais esperta, mas isso é outra história). Admito que gosto quando isso acontece e que, bem, gosto de desafios e...de as chatear.

Modéstia à parte, voo extremamente bem. Não preciso confiar em sentidos mais falíveis e lentos como a visão. Tenho o meu fiel sexto sentido, a ecolocalização, que me permite sentir os obstáculos de forma diferente de todos vocês - a não ser que sejam um golfinho (embora neles seja ligeiramente diferente), mas golfinhos não lêem muito bem, por isso é pouco provável que sejas um. Claro que ter este sentido teve os seus dissabores enquanto crescia. Os meus amigos nunca me deixavam jogar à cabra cega. Ganhava sempre. Até que aprendi a fingir que era mais cega do que realmente sou e os deixava ganhar às vezes. Mas mesmo assim tenho amigos que gostam de mim pelo que sou, como o Tomé, o Gonçalo e a Joana, provavelmente porque são atordoados como eu. Os atordoados andam sempre em grupo.

Nunca contei isto a ninguém, mas tenho uma vida dupla. Durante o dia tenho uma vida normal, como quase todas as meninas,- dentro dos limites do razoável, já que sou uma morcega - gosto da Pucca, de cor-de-rosa e de preto, de ler e de estar com os meus amigos, mas à noite é que vivo realmente. Prescruto a cidade à procura de pessoas que necessitam de ajuda. Encontrar objectos perdidos, combater vilões épicos (mas pequenos) e até indicações já dei - hm, foi mais assust..convencer a pessoa a ir na direcção correcta, mas resultou. Sou conhecida como a ninja da natureza entre os meus amigos. Conheço os animais e a natureza como ninguém, sou discreta de dia e quase invisível à noite, sou erradamente temida, e estou sempre presente quando mais precisam. E, certamente não sabem, nós os morcegos somos muito necessários para equilibrar a natureza. Ah? Perguntam se não durmo? Sim, às vezes. Mas muito pouco. Prefiro viver acordada. :)

Quando vocês estão no exterior à noite, debaixo de um candeeiro de rua, nunca repararam numa sombra que passa em menos de um segundo? Olham para cima e não vêem nada. Posso muito bem ser eu, ou um dos meus conhecidos. Uma mancha na noite, sabes que existo mas nunca me vês - eu sei, eu sei, isto não é um romance.

Como disse, muitas pessoas têm medo de mim. Algumas até acham que sou um vampiro! Que gosto de sangue. Eu desmaio se vir sangue! A não ser que seja num bom filme sobre vampiros, zombies, vilões e super-heróis, com artistas bonitos. Aí sim, como sei que são actores a fingirem que voam e se magoam, uma gotita de sangue aqui e ali, ou um tanque cheio, não me incomodam absolutamente nada. Como adoro cinema e sou pequenita posso assistir a muitas sessões sem pagar..shhh. Não digam a ninguém. Hmm, assistia a muitas mais quando existiam cinemas dignos do nome, espalhados pela cidade, em edifícios bonitos de se ver por fora e por dentro. Agora é tudo em shoppings, em caixas com ar condicionado. Muito aborrecido, e difícil de entrar para mim.

Já escrevi demasiado e a minha editora vai resmungar. Se quiserem saber mais sobre mim, e sobre as aventuras em que participo, visitem o site da Memória Criativa ou leiam os jornais...hehe.