Educação para a Cultura e para a Criatividade
Aniversário de Mário Cesariny
Mário Cesariny comemoraria hoje 90 anos
09
AGO
2013


Galeria:

Mário Cesariny de Vasconcelos nasceu em Lisboa no dia 9 de Agosto de 1923. Pintor e poeta, é considerado o principal representante do surrealismo português, tendo trabalhado também como antologista, compilador e historiador das atividades surrealistas em Portugal.

Na adolescência Mário frequentou durante um ano o Liceu Gil Vicente, após o que o pai, ourives de profissão, o mudou para um curso de cinzelagem na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Depois de ter concluído este curso, frequentou um curso de habilitação às Belas-Artes. No final da adolescência, em tertúlias nos cafés de Lisboa, Cesariny descobriu o neorrealismo, movimento artístico que se liga a questões sociais e à denúncia política, e depois o surrealismo, movimento artístico que enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa.

Cesariny frequentou também a Académie de la Grande Chaumière de Paris, onde conheceu André Breton, cuja influência o levou a participar na criação do Grupo Surrealista de Lisboa, com António Pedro, José Augusto França, Cândido Costa Pinto, Vespeira, Moniz Pereira e Alexandre O'Neill. Este grupo surgiu como forma de protesto libertário contra o regime salazarista e contra o neorrealismo, dominado pelo Partido Comunista Português. Mais tarde, fundou o antigrupo "Os Surrealistas".

Na década de 50, Cesariny trabalhou como pintor e poeta. Anos mais tarde, por dificuldades financeiras, dedicou-se por inteiro à pintura como forma de subsistência. Na década de 80 a sua obra poética foi reeditada e redescoberta.
Em 2004, Miguel Gonçalves Mendes realizou o documentário Autografia, filme em que Cesariny se expõe e se revela.

Mário Cesariny morreu em 26 de Novembro de 2006. Doou em vida o seu espólio à Fundação Cupertino de Miranda e, por testamento, deixou um milhão de euros à Casa Pia.



PARADA, por Mário Cesariny

Com um grande termómetro no chapéu
e um certo ar marcial equidistante
todos saíram hoje das suas casas na duna
para a rua a soprar o vento que vem de longe
a certeza que há-de vir de longe

Os prisioneiros polícias dos polícias prisioneiros
nas montras nos passeios por baixo dos bancos
passam os pontos escuros para o outro lado
sem esquecer o espelho
sem esquecer o aranhiço meticulosamente pequenino
para fazer a surpresa
sem esquecer a borboleta tonta que sobe no horizonte
da cor do sol
o pescoço da nossa felicidade.

< LISTA GERAL DE NOTÍCIAS