Educação para a Cultura e para a Criatividade
Sessão
De Ponte em Ponte (re)conhecemos o nosso Porto
28 Fevereiro 2013
Entidade
Promotora
Associação Porto Digital
Parceiro(s)
Museu Nacional de Soares dos Reis
Douro Azul
Orientação
Marlene Rocha
Paula Azeredo


Numa tarde de Inverno solarenga, partimos da escola de autocarro com destino ao Cais de Gaia. Aí esperava-nos o barco da Douro Azul que nos ia levar num cruzeiro pelo Rio Douro, para um melhor e diferente olhar sobre as pontes e as cidades que elas unem.

O percurso pelas pontes é um percurso pela História, pelo passado e pelo presente da cidade, do rio, das pontes, dos edifícios, dos animais e das pessoas. Todos estes elementos parecem fundir-se na criação da identidade das cidades do Porto e de Gaia.

E foi neste contacto com a natureza e com a cidade que fizemos a nossa viagem. Passamos no local onde outrora existiu a Ponte das Barcas. Desde 2009, ano evocativo dos 200 anos do Desastre da Ponte das Barcas, que o local se encontra identificado por duas esculturas simétricas (uma em cada margem), da autoria do arquiteto Souto Moura. Só tivemos que a imaginar. Esta ponte e os acontecimentos que a marcaram parecem estar bem vivos na memória da cidade.

E os vestígios arqueológicos da Ponte Pênsil ali tão perto! A preservação de um dos pilares e da casa da guarda militar que assegurava o regulamento da ponte e a cobrança de portagens para a sua travessia, do lado do Porto, remete-nos à época e contribui para um maior conhecimento e valorização do Património.
Logo ao lado está a Ponte D. Luís, um dos símbolos da cidade, com mais de cem anos de história! Com uma história bem mais pequena, segue-se a Ponte do Infante, a última ponte do Porto a ser construída, inaugurada em 2003.
E lá ao lado, ergue-se imponente nos seus 1.600.000 quilos de ferro, a histórica Ponte Maria Pia, com 136 anos de vida. Rumo à modernidade, encontramos a sua substituta nas suas funções de ponte ferroviária - a Ponte São João, em betão armado, projetada por Edgar Cardoso - e, por fim, mais a montante do Rio, a Ponte do Freixo, inaugurada em 1995.

Durante o percurso, tivemos ainda a oportunidade de observar a fauna que convive com o rio Douro. Nesta altura do ano o rio fica manchado de negro graças ao elevado número de Corvos-marinhos que migram até ao estuário do Douro, em Cabedelo (Gaia).

Voltámos para trás e, revisitando a cidade, olhamos atentamente a Muralha Fernandina, o casario da Ribeira e de Miragaia, o edifício da Alfândega, até chegarmos à Ponte da Arrábida, que este ano comemora 50 anos de existência.

E, ainda que muito entusiasmados com tudo o que íamos vendo, conseguimos também ser profissionais. Durante este percurso, aproveitamos para gravar alguns vivos (elemento de trabalho que pode ser usado nas reportagens quando
o jornalista quer contar uma história ou prestar uma informação no local) para a nossa reportagem.

A viagem de barco chegou ao fim. Mas a nossa expedição pelas pontes ainda não terminou. Fizemos novamente o percurso, desta vez de autocarro. E, graças a esta viagem, descobrimos novas histórias ligadas às pontes e à História da cidade. Antes de existirem pontes, a travessia do rio fazia-se através de barcos e jangadas. Hoje, na Afurada, ainda existe um barco que faz a travessia, todos os dias com horário fixo, do rio, como antigamente se fazia. Ao passarmos pela marginal, entre a Ponte D. Luís e a Ponte do Freixo, a Paula relembrou as Invasões Francesas. Em 1809, a cidade do Porto estava ocupada pelas tropas francesas do general Soult. As tropas portuguesas e inglesas, que estavam em Gaia, não tinham forma de atravessar o rio para defender a cidade do Porto, já que a Ponte das Barcas tinha ruído. Mas a população ribeirinha emprestou barcas aos soldados portugueses e ingleses que, duas horas depois de atravessarem o rio e de chegarem ao Porto, surpreendendo as tropas francesas, libertaram a cidade.

Para além disso, descobrimos outros lugares que são autênticos tesouros da nossa cidade - a Casa do Infante (vamos visitá-la na próxima semana), a Igreja de São Francisco, o antigo Convento de Monchique, o Museu do Vinho do Porto...

Mas que tarde tão rica! Convivemos uns com os outros, com as pontes e com a cidade!

O nosso agradecimento à Douro Azul por nos ter concedido de forma gratuita esta viagem, tão relevante para o projeto "De Ponte em Ponte".

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