Educação para a Cultura e para a Criatividade
Sessão
Visita ao Museu Nacional de Soares dos Reis em família
03 Março 2013
Entidade
Promotora
Associação Porto Digital
Parceiro(s)
Museu Nacional de Soares dos Reis
Orientação
Paula Azeredo
Na manhã solarenga e quentinha de domingo 3 de Março, encontramo-nos à porta do Museu Nacional de Soares dos Reis, um edifício "fantástico", dissemos nós, com uma longa História e muitas histórias para contar.

Criar uma relação, comunicar, perguntar…já estivemos à conversa com objetos deste museu… por que não fazê-lo também com o edifício? Percorrendo-o, descobrimos, com a ajuda da Paula Azeredo, que foi construído por volta de 1797-1801 para habitação e fábrica da família Moraes e Castro, uma família que antes vivia no “sítio do Carranca” (daí a alcunha) e cujo negócio era a produção de fio de ouro e prata.

A arquitetura de estilo neoclássico desta casa é, por si só, uma grande comunicadora! O que nos diz da sua época? Como era encarado o Homem? Estávamos na época do Iluminismo, a época da razão, por isso a arquitetura era também ela racional, assente em princípios matemáticos e proporções ideais, tal como na época de ouro da Grécia e do Renascimento europeu. Daí as formas puras, geométricas e simétricas deste palácio.

Durante o cerco do Porto o palácio serviu de quartel-general a D. Pedro IV, que se instalou aqui durante quatro meses. E, logo à entrada do museu, encontramos objetos da farda de Coronel de Regimento de Caçadores que pertenceu a D. Pedro IV: o colete e o dolman (casaco curto) e também a espada, o óculo, o cinturão. Imaginem as histórias que estes objetos terão para contar!

Em 1861, o Palácio é comprado por D. Pedro V e transformado em Paço Real. Passa a ser a residência da família real no Norte do país. Por aqui passaram D. Luís e D. Maria Pia, os monarcas que deram nome às duas pontes de ferro entre Porto e Gaia.

Só muito mais tarde, em 1940, é que este edifício foi remodelado para receber as coleções do Museu Nacional de Soares dos Reis e da Câmara Municipal do Porto.

Conhecendo a sua história, admiramos este edifício de outra forma. Conhecer é valorizar. E assim, atentos, percorremos o seu jardim colorido pelas camélias e os seus corredores e salas simétricas, repletas de objetos que contam histórias e que refletem a História da Arte.

A história da Sala Oriente e dos Biombos Namban foi contada por nós aos nossos familiares. Ainda nos lembrávamos bem das entrevistas que fizemos a estes biombos, que mostram a chegada dos portugueses ao Japão.

Na sala da pintura naturalista detivemo-nos perante a obra do pintor portuense Silva Porto. Entremos no quadro "A Seara". A que cheira? Como está o tempo? Que sons se ouvem?

Esta visita está quase a chegar ao fim, mas não podíamos ir embora sem conhecer a obra do escultor que deu o nome a este museu: António Soares dos Reis. De olhar distante, sentado num rochedo, ergue-se o Desterrado, esculpido quando Soares dos Reis tinha 25 anos. A expressão melancólica em frente ao mar transmite-nos uma sensação de saudade de quem está longe da sua terra. Que sentimentos e ideias me ocorrem quando dou a volta para a apreciar? Alguma vez senti algo parecido?

Cerâmica, pintura, escultura, joalharia, mobiliário... De peças pré-históricas misteriosas como o próprio sentido da vida a pinturas modernistas do século XX... Este museu está repleto de tesouros! Não temos tempo, nem estômago, para descobrir todos hoje! Assim, temos sempre razões para voltar!

Levamos para casa o coração quentinho de uma manhã em família, rodeados de História e de histórias. Do palácio, do museu, das peças, dos artistas e agora também da nossa história com tudo isto.

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