Educação para a Cultura e para a Criatividade
Sessão
Comunicar com os objetos - Visita ao Museu Nacional de Soares dos Reis
26 Fevereiro 2013
Entidade
Promotora
Associação Porto Digital
Parceiro(s)
Museu Nacional de Soares dos Reis
Orientação
Paula Azeredo
Já tínhamos recebido na escola a visita da Paula Azeredo do Museu Nacional de Soares dos Reis, com quem descobrimos que os objetos têm muito para nos contar se metermos conversa com eles, (basta darmos-lhes muita atenção e começar a perguntar acerca da sua vida… como se faz quando queremos conhecer alguém! ) e eis que chegou o dia de visitarmos o museu.

Lá chegados, subimos as escadas e deparamo-nos com um grande cavalo cinzento. Que cavalo será aquele? Que histórias terá para contar? De que materiais é feito? Que objetos carrega no seu dorso? Aproximamo-nos dele para o conhecermos melhor, mas atenção, sem tocar! O toque corrrrrrrrrói os objetos. Descobrimos que este cavalo carrega, entre tantos outros objetos, uma lanterna, uma garrafa, uma frigideira, uma bandeira, um sino… Objetos, objetos e mais objetos que o homem está permanentemente a inventar e reinventar! Objetos que são como uma segunda pele ou um prolongamento de nós…e que falam da nossa história.

Seguimos o nosso caminho, desta vez rumo a uma viagem muito especial a uma terra longínqua. Na sala Oriente, descobrimos o Japão, graças aos Biombos Namban. Podemos “tocar-lhes” com a nossa imaginação e, assim, tentar sentir o cheiro do chá, a textura macia das vestes de seda, a brisa do mar, as vozes dos marinheiros e dos comerciantes, o som das naus a aportar. E até ficamos com vontade de conhecer mais acerca do Japão: as paisagens das suas ilhas, a vida ao longo das estações do ano, a sua língua, a música dos instrumentos tradicionais japoneses? Que bela melodia esta de ter sempre coisas para aprender com os outros e com outras culturas!

Para termos ainda mais vontade de “entrar” nos biombos e no Japão do passado, a Paula deu-nos algumas tarefas, a serem concretizadas individualmente e até de forma introspetiva! Com uma imagem de pormenor, de uma cena ou de uma personagem dos biombos, fomos procurá-la nos biombos para conhecer o seu contexto. Em seguida, entrevistamos os biombos e os seus personagens, perguntando tudo o que queríamos saber sobre eles… e ainda registamos num breve desenho um outro pormenor a descobrir. Estes biombos, autênticas “ paredes amovíveis”, tanto têm para contar...

Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Japão em 1543. Foram chamados de namban jin que quer dizer bárbaros vindos do sul; bárbaros porque não falavam a sua língua. Este artista pintou tudo o que viu - a nau a aportar, os comerciantes, os nobres, os religiosos, os missionários, a casa dos jesuítas onde se toma o chá, os marinheiros, as lojas numa rua... Estes biombos são como uma reportagem e o artista que os criou como um repórter.

São decorativos e narrativos: a pintura é combinada com a aplicação de folhas de ouro para descreve cenas, pessoas, objetos, contando também eles um pouco da História de Portugal quando se cruza com a história do Japão no século XVI e XVII. Pintados por um pintor japonês, provavelmente já no início do séc. XVII, estes biombos relatam o que se passava a bordo no porto e em terra, quando a “nau do trato”, isto é, o grande barco português destinado ao comércio, chegava ao Japão. A rota portuguesa de comércio mais longínqua e que implicava uma viajem de pelo menos dois anos.

Querem conhecer os Biombos Namban? Visitem o Museu Nacional de Soares dos Reis! Mas se a curiosidade for muita comecem por ver as fotos na nossa galeria!

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